Faz hoje 100 anos que...

Maria Veleda (1871-1955), pseudónimo de Maria Carolina Frederico Crispim, professora, feminista, republicana, livre-pensadora e espiritualista, defendia que era imprescindível que a mulher aprendesse uma arte ou um ofício e zelasse pela sua educação e instrução.
«O que é a mulher, principalmente em Portugal, onde a sua educação está atrasadíssima, onde a Liberdade é, para ela, uma palavra incolor, vazia de sentido, o que é a mulher senão uma criança grande, cheia de candura, de mimo e de frivolidade? Uma criança que não sabe andar sozinha, que tropeça ao mais pequenino embaraço, uma criança muitíssimo infeliz?
A mulher portuguesa, desinteressada dos grandes problemas que agitam a alma moderna, encolhendo-se na sua deprimente condição de odalisca, faz-me pensar com infinita tristeza nessas mendigas cegas, que se nos deparam às esquinas estendendo a mão aos indiferentes que passam…».
in Jornal "O Século", nº 9998, de 15 de Outubro de 1909, p. 3.
Defendia a autora que a mulher portuguesa devia lutar pela emancipação social do sexo feminino, e pelo ingresso sem restrições ao mercado de trabalho. O feminismo devia ser encarado como uma questão económica. A mulher devia ser previdente e saber como prover à sua subsistência, sem estar, por completo, dependente do homem.

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