Concurso Nacional de Leitura 2ª fase-Programa e Regulamento


AS PENAS

Um conto hasídico da Europa de Leste


Uma mulher de língua afiada foi acusada de espalhar um boato. Quando a levaram perante o rabi da aldeia, desculpou-se:
 — Não passou tudo de uma brincadeira e não tenho culpa de que as minhas palavras tenham sido espalhadas por outros.
 Contudo, a vítima exigia que fosse feita justiça, dizendo:
— As tuas palavras destruíram o meu bom nome!
A mulher retorquiu:
— Retiro o que disse e, assim, anulo a minha culpa.
Quando o rabi ouviu estas palavras, percebeu que a mulher não compreendia o alcance do crime que cometera. Disse-lhe então:
— As tuas palavras só serão desculpadas depois de fazeres o seguinte: traz a minha almofada para o mercado, corta-a, e deixa que o vento leve as penas. Depois, apanha cada uma delas e trá-las de volta. Quando tiveres feito isso, serás absolvida do teu crime.
A mulher concordou e pensou para consigo: “O velho rabi enlouqueceu de vez!” Mas, mal cortou a almofada, viu logo que as penas voaram para todos os cantos da praça. O vento levou-as para todos os lados, por sobre as árvores e para debaixo das carroças. A mulher bem que tentou apanhá-las mas, após muitos esforços, deu-se conta de que nunca as encontraria todas.
Foi ter com o rabi com algumas penas na mão e confessou:
— Não consegui apanhar as penas todas, tal como não consigo retirar tudo o que afirmei. A partir de agora, terei cuidado com o que digo, para não prejudicar os outros, pois não há forma de controlar as palavras, tal como não há forma de controlar o voo das penas.
E, a partir desse dia, a mulher só falava de forma bondosa de todos quantos encontrava.


Marian Wright Edelman
I can make a difference
New York, HarperCollins Publishers, 2005
(Tradução e adaptação)

A 2ª fase do Concurso de Leitura Concelhio


A professora - bibliotecária e os quatro alunos que foram representar o Agrupamento de Escolas de Celeirós na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. O primeiro ciclo foi representado pela EB1 da Cruz.
A professora -bibliotecária sentiu grande orgulho ao levar estas crianças à BLCS, assim como sentiu orgulho e gratidão por todos os professores que se empenharam nesta causa do livro e da leitura. A escola tem momentos destes: momentos que nos marcam para sempre.

DIA MUNDIAL DA ÁRVORE e da POESIA

          21 de Março


As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
Deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
Quando o Outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração.


                                                                                                Ruy Belo

Semana da Leitura, feira do livro e encontro com a escritora Sandra Pinto



Encontro com o escritor Vergílio Alberto Vieira

"Marcha Soldado"

As Histórias de Vergílio Alberto Vieira

"As Abelhinhas Giroflé"

Os prémios e os diplomas do "concurso de leitura" da EB1 da Cruz


Na semana da leitura, mais precisamente no dia 3 de Março, fomos à escola E.B 2/3 de Celeirós, conhecer o escritor Vergílio Alberto Vieira.

Para o encontro elaborámos um chapéu com jornal de papel, pintámos e recortámos a bandeira nacional que colocámos numa palheta e que levámos na mão. Entrámos na sala do aluno a cantar “Marcha Soldado”.

Todos achámos o escritor engraçado, simpático, simples e gentil. Contou-nos alguns episódios da sua infância traquina e simples, em Amares, terra onde nasceu em 1950.

Leu-nos uma das suas poesias publicadas no livro “Os direitos da criança”. Também nos disse que brevemente sairia o livro “ Os direitos dos animais”.

No final do nosso encontro autografou-nos os livros que comprámos.

Em seguida fomos à biblioteca ver a feira do livro que aí decorria. Aqui, os vencedores da primeira fase do concurso de leitura receberam os respectivos prémios.

Foi um encontro muito enriquecedor.



Alunos do 3.º AC – professora Rosa


EB1/JI da Cruz - Celeirós

8 de Março - Dia internacional da Mulher

Este poema é dedicado a todas as mulheres do passado,do presente e do futuro

Porque  
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
 
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
 
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
 
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
  Sophia de Mello Breyner Andersen
 
“No Tempo  Dividido e  Mar Novo”, Edições Salamandra, 1985, p. 79

SER POETA É...

A escritora Sandra Pinto depois de visitar a nossa escola, no âmbito da Semana da Leitura,escreveu assim no seu blogue:

"Venho eu de alma cheia depois da visita à Escola EB23 de Celeirós (Braga). Os alunos começaram por cantar em coro a música "Gabriel" dos Lamb, em homenagem ao meu pequeno filho Gabriel, que acabou de completar um ano. Fiquei tão emocionada que quase nem conseguia falar a seguir.
Depois foram os inúmeros trabalhos de artes plásticas relacionados com os meus livros, como o que se pode ver na foto acima. Fantástico! Prepararam apresentações em Powerpoint com a minha biografia, leram excertos dos meus livros, fizeram-me entrevistas, ofereceram-me presentes encantadores e até escreveram poemas, como este que partilho agora com os meus queridos leitores.
Muito obrigada a todos os alunos, professores (em especial às Professoras Aurora Jesus e Teresa Soares) e funcionários que estiveram envolvidos na preparação da minha visita. Foi absolutamente inesquecível!"

PALAVRAS SECRETAS
O Mundo em rodopio
Tenho a minha vida de pernas para o ar
Tenho o sonho aberto...
Mas não sei onde quero chegar!
Na noite solitária,
Sem mais nada esperar,
Deixa a promessa de uma vida a dois,
Que não posso concretizar!
No segredo da paixão
Pergunto ao obscuro
Mas porque me apaixono?! Sempre pelo rapaz errado?
São palavras duvidosas...
Não quero mais crescer
Tenho a vida a mover
Mas não sei o que fazer
Carina Leite
Patrícia Fernandes
9º D
Queres conhecer o blog da escritora Sandra Pinto? Clica aqui!

Plantar árvores para curar a terra



Desde a independência do Quénia, nos anos 60, que o governo tem trabalhado para modernizar o país, mas muitos problemas se têm deparado. À medida que a população cresce, mais árvores são cortadas para se obter terra para cultivar e lenha para cozinhar e aquecer. Sem as raízes das árvores para segurar a terra, as chuvas fortes fazem desaparecer o solo fértil. As florestas estão a dar lugar a novos desertos.


Esta é a história de alguém que está a trabalhar para melhorar a vida dos habitantes do Quénia. O nome dela é Wangari Maathai, e o seu trabalho não é nada fácil. Wangari Maathai foi uma das quenianas que tiveram a sorte de receber uma formação académica. Na escola, disseram-lhes, a ela e aos outros jovens, que seriam eles os futuros líderes do país. Teriam a responsabilidade particular de trabalhar para ajudar o povo queniano. Wangari tomou a sério esta responsabilidade. Quando acabou a escola e viu o que estava a acontecer à terra, decidiu ajudar a plantar árvores. Não umas poucas árvores no jardim lá de casa, nem algumas centenas numa pequena floresta, mas milhares de árvores, milhões mesmo.
O seu primeiro projecto não correu muito bem. Conseguiu obter de graça seis mil árvores, mas estas eram frágeis, com raízes pequenas e apenas algumas folhas. Decidiu dá-las a plantar a pessoas que precisavam muito de trabalho. Mas essas pessoas não tinham nem as ferramentas necessárias, nem dinheiro para irem de autocarro até ao trabalho. Acresce que, devido a uma época de seca excessiva, o governo decidiu que não se podia utilizar água nos jardins. Apenas duas das pequenas árvores não morreram. Foi um começo muito desencorajador.
Por essa altura, Wangari foi a uma conferência das Nações Unidas no Canadá. Conheceu pessoas como Margaret Mead e Madre Teresa, pessoas com muita experiência no tocante a melhorar as vidas dos outros. Isso deu-lhe forças para continuar a tentar, mas percebeu que não poderia fazê-lo sozinha. Wangari voltou então para o Quénia e fundou uma associação de mulheres de todo o país. O seu primeiro projecto foi levar líderes importantes a plantar sete árvores em Nairobi, a capital do Quénia, em honra de sete grandes heróis quenianos. As suas fotografias saíram nos jornais, tendo tido assim muita publicidade. Infelizmente, as pessoas que deveriam ter tomado conta das árvores não lhes deram água suficiente. As árvores depressa morreram.
Em seguida, Wangari e a associação estabeleceram o objectivo de plantar milhões de árvores em terrenos públicos. As pessoas que viviam perto olhariam por essas árvores. Chamaram ao projecto “Salvem a Terra Haram-bee” (Ha-rahm-BAY quer dizer ”Caminhemos na mesma direcção”). O departamento florestal do governo gostou dos projectos das mulheres empenhadas e concordou em dar-lhes, de graça, plantas semeadas. Mas quando o comité pediu quinze milhões de plantas ainda novas, o departamento decidiu que não podia ser assim. Quinze milhões eram demasiado.
Isto deu outra ideia a Wangari. Além de ajudar a plantar árvores, queria também dar poder às pessoas que não tinham nenhum: por que não treinar as mulheres para criar viveiros de árvores? Assim, as mulheres poderiam ganhar dinheiro ao fornecer-lhe as árvores que ela queria plantar. A ideia funcionou. As mulheres foram ensinadas a fazer enxertos de árvores que cresciam naturalmente nas suas zonas. Aprenderam a plantar árvores, a cuidar delas e a gerir um pequeno negócio. Estavam a aprender a ajudar-se a si próprias e, ao mesmo tempo, a ajudar a terra. Era maravilhoso. Em breve, muitas pessoas começaram a plantar os tipos certos de árvores, da forma correcta. Plantavam-nas em fila, de modo a servir de barreira contra o vento e a manter a humidade do solo. À medida que as árvores cresciam e os seus ramos se expandiam, podiam ser podadas. As que eram abatidas serviam como lenha. O que era igualmente maravilhoso.
Todas as rádios e televisões davam notícias sobre as plantas e as árvores novas. Chegaram cartas de escolas, de igrejas, de instituições públicas, a pedir árvores para plantar. A ideia de Wangari ganhou um novo nome. Passou a chamar-se Green Belt Movement. Por todo o Quénia, tanto nas cidades como nas aldeias, as pessoas começaram a formar associações. Os membros do Green Belt reuniam-se para explicar a importância das árvores. Arranjavam ferramentas de jardim, tanques de água, e davam formação àqueles que eram contratados para olhar pelas árvores. Muitas vezes, contratavam pessoas com deficiência, para as quais encontrar trabalho era ainda mais difícil. Centenas de pessoas conseguiram assim um emprego.
Wangari descobriu que, frequentemente, as pessoas plantavam as árvores com grande entusiasmo, mas que, depois, desistiam de cuidar delas. Por isso, muitas árvores morriam. Então, os membros do Green Belt tentaram uma ideia nova. Sempre que se plantavam novas árvores, prometiam mandar a essas pessoas dinheiro pelas árvores que ainda estivessem vivas seis meses depois da plantação. Saber que seriam monetariamente recompensadas fazia com que as pessoas fossem mais cuidadosas com as pequenas árvores enquanto estas criavam raízes.
Mas Wangari estava preocupada: muitos plantadores de árvores tinham trazido novos tipos de árvores que cresciam rapidamente. Estas podiam ser cortadas e vendidas mais cedo do que as árvores naturais do Quénia. As pessoas descobriram que, assim, conseguiam dinheiro mais depressa… Mas as árvores que são plantadas para serem abatidas dentro de poucos anos não resolvem o problema da erosão do solo. E estas árvores perturbam o equilíbrio próprio da natureza. Além de lenha e material para construção, as árvores nativas do Quénia fornecem igualmente forragem para animais, frutas, mel e ervas medicinais, coisas que as árvores importadas não provêm.
Wangari começou então a trabalhar arduamente para ensinar às pessoas que as árvores nativas são melhores para o Quénia e foi-se apercebendo de que os seus esforços não têm sido em vão: em apenas doze anos, foram criados mil e quinhentos viveiros de árvores. Mais de dez milhões de árvores nativas foram plantadas em terrenos públicos pelo Green Belt Movement. Muitas estão em recintos verdes perto de escolas e são as crianças que tomam conta delas. Mais de um milhão de crianças fazem este trabalho. Cada criança cuida de uma ou de duas árvores. Em 1989, o Global Windstar Awards deu a Wangari Maathai dez mil dólares pelo seu trabalho de plantação de árvores e de defesa do ambiente no Quénia. As pessoas perguntaram-se o que iria ela fazer com todo esse dinheiro. Na cerimónia de entrega do prémio, Wangari anunciou que o daria a viveiros de á rvores e às associações do Green Belt Movement noutras partes de África.
Wangari Maathai fala muitas vezes sobre “aquilo que há de Deus” em todos nós. Acredita que “o que há de Deus em nós” é a nossa capacidade de nos importarmos com as pessoas – todas as pessoas – e com a nossa Terra preciosa.



Janet Sabina e Marnie Clark


Lighting Candles in the Dark
Philadelphia, FGC, 2001
(Tradução e adaptação)

Semana da Leitura e Feira do Livro de 1 a 4 de Março

Visualizando uma curta - metragem...


Neste painel, "A Grande Viagem do Elefante" de Saramago resulta do trabalho dos docentes Marta Fernandes e Alberto Cerqueira com os alunos do 5ºC, E e 6ºE.

 
O Plano Nacional de Leitura (PNL) terá, durante esta semana, um eclodir de actividades à roda dos livros e da leitura. O número de alunos e professores envolvidos nestas actividades dão mais alento ao PNL. Assim, contamos com poesia cantada e musicada, visitas à Feira do Livro e às exposições relacionadas com as obras do PNL (máscaras, telas, ilustrações…), biografias de autores de várias nacionalidades, “A Viagem do Elefante”, de Saramago na expressão plástica, Escrita Criativa, subordinada ao tema “A árvore dos rebuçados”, de Rosário Alçada Araújo, Histórias Mágicas na Rádio Escola, teatro (A Educação Sexual na Escola, nos Prós e Contra, e “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá” de Jorge Amado, através de Sombras Chinesas), Ondas de Leitura e o Poema de Mão em Mão, encontro com autores de expressão portuguesa, Vergílio Alberto Vieira e Sandra Pinto, contos e recontos, curtas-metragens, LER com…