A escritora Sandra Pinto depois de visitar a nossa escola, no âmbito da Semana da Leitura,escreveu assim no seu blogue:

"Venho eu de alma cheia depois da visita à Escola EB23 de Celeirós (Braga). Os alunos começaram por cantar em coro a música "Gabriel" dos Lamb, em homenagem ao meu pequeno filho Gabriel, que acabou de completar um ano. Fiquei tão emocionada que quase nem conseguia falar a seguir.
Depois foram os inúmeros trabalhos de artes plásticas relacionados com os meus livros, como o que se pode ver na foto acima. Fantástico! Prepararam apresentações em Powerpoint com a minha biografia, leram excertos dos meus livros, fizeram-me entrevistas, ofereceram-me presentes encantadores e até escreveram poemas, como este que partilho agora com os meus queridos leitores.
Muito obrigada a todos os alunos, professores (em especial às Professoras Aurora Jesus e Teresa Soares) e funcionários que estiveram envolvidos na preparação da minha visita. Foi absolutamente inesquecível!"

PALAVRAS SECRETAS
O Mundo em rodopio
Tenho a minha vida de pernas para o ar
Tenho o sonho aberto...
Mas não sei onde quero chegar!
Na noite solitária,
Sem mais nada esperar,
Deixa a promessa de uma vida a dois,
Que não posso concretizar!
No segredo da paixão
Pergunto ao obscuro
Mas porque me apaixono?! Sempre pelo rapaz errado?
São palavras duvidosas...
Não quero mais crescer
Tenho a vida a mover
Mas não sei o que fazer
Carina Leite
Patrícia Fernandes
9º D
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Plantar árvores para curar a terra



Desde a independência do Quénia, nos anos 60, que o governo tem trabalhado para modernizar o país, mas muitos problemas se têm deparado. À medida que a população cresce, mais árvores são cortadas para se obter terra para cultivar e lenha para cozinhar e aquecer. Sem as raízes das árvores para segurar a terra, as chuvas fortes fazem desaparecer o solo fértil. As florestas estão a dar lugar a novos desertos.


Esta é a história de alguém que está a trabalhar para melhorar a vida dos habitantes do Quénia. O nome dela é Wangari Maathai, e o seu trabalho não é nada fácil. Wangari Maathai foi uma das quenianas que tiveram a sorte de receber uma formação académica. Na escola, disseram-lhes, a ela e aos outros jovens, que seriam eles os futuros líderes do país. Teriam a responsabilidade particular de trabalhar para ajudar o povo queniano. Wangari tomou a sério esta responsabilidade. Quando acabou a escola e viu o que estava a acontecer à terra, decidiu ajudar a plantar árvores. Não umas poucas árvores no jardim lá de casa, nem algumas centenas numa pequena floresta, mas milhares de árvores, milhões mesmo.
O seu primeiro projecto não correu muito bem. Conseguiu obter de graça seis mil árvores, mas estas eram frágeis, com raízes pequenas e apenas algumas folhas. Decidiu dá-las a plantar a pessoas que precisavam muito de trabalho. Mas essas pessoas não tinham nem as ferramentas necessárias, nem dinheiro para irem de autocarro até ao trabalho. Acresce que, devido a uma época de seca excessiva, o governo decidiu que não se podia utilizar água nos jardins. Apenas duas das pequenas árvores não morreram. Foi um começo muito desencorajador.
Por essa altura, Wangari foi a uma conferência das Nações Unidas no Canadá. Conheceu pessoas como Margaret Mead e Madre Teresa, pessoas com muita experiência no tocante a melhorar as vidas dos outros. Isso deu-lhe forças para continuar a tentar, mas percebeu que não poderia fazê-lo sozinha. Wangari voltou então para o Quénia e fundou uma associação de mulheres de todo o país. O seu primeiro projecto foi levar líderes importantes a plantar sete árvores em Nairobi, a capital do Quénia, em honra de sete grandes heróis quenianos. As suas fotografias saíram nos jornais, tendo tido assim muita publicidade. Infelizmente, as pessoas que deveriam ter tomado conta das árvores não lhes deram água suficiente. As árvores depressa morreram.
Em seguida, Wangari e a associação estabeleceram o objectivo de plantar milhões de árvores em terrenos públicos. As pessoas que viviam perto olhariam por essas árvores. Chamaram ao projecto “Salvem a Terra Haram-bee” (Ha-rahm-BAY quer dizer ”Caminhemos na mesma direcção”). O departamento florestal do governo gostou dos projectos das mulheres empenhadas e concordou em dar-lhes, de graça, plantas semeadas. Mas quando o comité pediu quinze milhões de plantas ainda novas, o departamento decidiu que não podia ser assim. Quinze milhões eram demasiado.
Isto deu outra ideia a Wangari. Além de ajudar a plantar árvores, queria também dar poder às pessoas que não tinham nenhum: por que não treinar as mulheres para criar viveiros de árvores? Assim, as mulheres poderiam ganhar dinheiro ao fornecer-lhe as árvores que ela queria plantar. A ideia funcionou. As mulheres foram ensinadas a fazer enxertos de árvores que cresciam naturalmente nas suas zonas. Aprenderam a plantar árvores, a cuidar delas e a gerir um pequeno negócio. Estavam a aprender a ajudar-se a si próprias e, ao mesmo tempo, a ajudar a terra. Era maravilhoso. Em breve, muitas pessoas começaram a plantar os tipos certos de árvores, da forma correcta. Plantavam-nas em fila, de modo a servir de barreira contra o vento e a manter a humidade do solo. À medida que as árvores cresciam e os seus ramos se expandiam, podiam ser podadas. As que eram abatidas serviam como lenha. O que era igualmente maravilhoso.
Todas as rádios e televisões davam notícias sobre as plantas e as árvores novas. Chegaram cartas de escolas, de igrejas, de instituições públicas, a pedir árvores para plantar. A ideia de Wangari ganhou um novo nome. Passou a chamar-se Green Belt Movement. Por todo o Quénia, tanto nas cidades como nas aldeias, as pessoas começaram a formar associações. Os membros do Green Belt reuniam-se para explicar a importância das árvores. Arranjavam ferramentas de jardim, tanques de água, e davam formação àqueles que eram contratados para olhar pelas árvores. Muitas vezes, contratavam pessoas com deficiência, para as quais encontrar trabalho era ainda mais difícil. Centenas de pessoas conseguiram assim um emprego.
Wangari descobriu que, frequentemente, as pessoas plantavam as árvores com grande entusiasmo, mas que, depois, desistiam de cuidar delas. Por isso, muitas árvores morriam. Então, os membros do Green Belt tentaram uma ideia nova. Sempre que se plantavam novas árvores, prometiam mandar a essas pessoas dinheiro pelas árvores que ainda estivessem vivas seis meses depois da plantação. Saber que seriam monetariamente recompensadas fazia com que as pessoas fossem mais cuidadosas com as pequenas árvores enquanto estas criavam raízes.
Mas Wangari estava preocupada: muitos plantadores de árvores tinham trazido novos tipos de árvores que cresciam rapidamente. Estas podiam ser cortadas e vendidas mais cedo do que as árvores naturais do Quénia. As pessoas descobriram que, assim, conseguiam dinheiro mais depressa… Mas as árvores que são plantadas para serem abatidas dentro de poucos anos não resolvem o problema da erosão do solo. E estas árvores perturbam o equilíbrio próprio da natureza. Além de lenha e material para construção, as árvores nativas do Quénia fornecem igualmente forragem para animais, frutas, mel e ervas medicinais, coisas que as árvores importadas não provêm.
Wangari começou então a trabalhar arduamente para ensinar às pessoas que as árvores nativas são melhores para o Quénia e foi-se apercebendo de que os seus esforços não têm sido em vão: em apenas doze anos, foram criados mil e quinhentos viveiros de árvores. Mais de dez milhões de árvores nativas foram plantadas em terrenos públicos pelo Green Belt Movement. Muitas estão em recintos verdes perto de escolas e são as crianças que tomam conta delas. Mais de um milhão de crianças fazem este trabalho. Cada criança cuida de uma ou de duas árvores. Em 1989, o Global Windstar Awards deu a Wangari Maathai dez mil dólares pelo seu trabalho de plantação de árvores e de defesa do ambiente no Quénia. As pessoas perguntaram-se o que iria ela fazer com todo esse dinheiro. Na cerimónia de entrega do prémio, Wangari anunciou que o daria a viveiros de á rvores e às associações do Green Belt Movement noutras partes de África.
Wangari Maathai fala muitas vezes sobre “aquilo que há de Deus” em todos nós. Acredita que “o que há de Deus em nós” é a nossa capacidade de nos importarmos com as pessoas – todas as pessoas – e com a nossa Terra preciosa.



Janet Sabina e Marnie Clark


Lighting Candles in the Dark
Philadelphia, FGC, 2001
(Tradução e adaptação)

Semana da Leitura e Feira do Livro de 1 a 4 de Março

Visualizando uma curta - metragem...


Neste painel, "A Grande Viagem do Elefante" de Saramago resulta do trabalho dos docentes Marta Fernandes e Alberto Cerqueira com os alunos do 5ºC, E e 6ºE.

 
O Plano Nacional de Leitura (PNL) terá, durante esta semana, um eclodir de actividades à roda dos livros e da leitura. O número de alunos e professores envolvidos nestas actividades dão mais alento ao PNL. Assim, contamos com poesia cantada e musicada, visitas à Feira do Livro e às exposições relacionadas com as obras do PNL (máscaras, telas, ilustrações…), biografias de autores de várias nacionalidades, “A Viagem do Elefante”, de Saramago na expressão plástica, Escrita Criativa, subordinada ao tema “A árvore dos rebuçados”, de Rosário Alçada Araújo, Histórias Mágicas na Rádio Escola, teatro (A Educação Sexual na Escola, nos Prós e Contra, e “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá” de Jorge Amado, através de Sombras Chinesas), Ondas de Leitura e o Poema de Mão em Mão, encontro com autores de expressão portuguesa, Vergílio Alberto Vieira e Sandra Pinto, contos e recontos, curtas-metragens, LER com…

A menina que detestava livros

Cuidados a ter com um LIVRO

EXPOSIÇÃO FRENTE & VERSO


O lado criativo dos nossos alunos (5º A e B; 6º A, C  e D) - EVT

A arte, um refúgio da imaginação!

A criatividade não tem limites. Esta exposição deixa transparecer as vivências de cada "artista": o seu mundo interior, os seus anseios, os seus valores.
Nesta exposição, encontramos pontos comuns, marcas próprias de uma faixa etária.
Durante a segunda quinzena de Fevereiro, a exposição Frente & Verso prendeu-nos o olhar pelos riscos determinados e concretos da expressividade, que nasce do contraste entre as cores e o cinza do lápis de carvão.
Não se trata de uma exposição melancólica, mas antes de uma exposição dinâmica e envolvente.  
No livro de registo de opinião,  os que a visitam repetem a palavra "criatividade".
Esta ainda está ao serviço da escrita, através do livro de registo de opinião.

ANTÓNIO


António é um amigo. Trabalha num restaurante à beira da estrada.
A história de António não é alegre. Porque não vos hei-de contar a história de um menino feliz? Uma história alegre?
Mas António está ali. Ali, no meio de todos nós. É criança e trabalha.
Tem o pai doente. Muitos irmãos.
A primeira vez que o vi foi num dia quente de Verão. Um calor de escaldar.
Comoveu-me a sua delicadeza. Um pouco gago e querendo, na sua gaguez, dizer tanta palavra amável, boa. Os olhos piscos a tremerem, passarinhos espantados.
Há quem se ria dos gagos. E, afinal, um susto que apanhássemos em criança, um modo mais delicado de olhar a vida podem dar-nos essas pausas na voz, essa distância entre a palavra que se vai dizer e o pensamento.
As pessoas que vão comer ao restaurante vão comer bem. Olham a ementa e não olham o António. Olham a conta e não olham o António.
E o António tem fome: não da comida do restaurante, mas de ternura, de palavras boas.
É muito magrinho o António! Para além da tal fome.
Se me lembro dele, lembro-me de um choupo pequenino que vi numa madrugada, ia de comboio.
Fazia vento e a madrugada molhava-se de azul. E o choupo abanava sozinho.
António também abana. E vou explicar porquê.
Naquele dia de muito calor (quando o conheci), António vendeu-me um postal ilustrado, daqueles que os hotéis e os restaurantes têm nos balcões de recepção, para os turistas. Brilhantes e frios.
Reparei nas suas mãos ainda de criança.
— Que-que-ri-a es-es-te?
Eu queria.
E reparava nas suas mãos de criança que deviam ainda estar sobre a carteira da escola. E estavam ali.
Reparei. E o meu olhar subiu das mãos para os pulsos.
E vi, naquele dia de calor tão grande, duas mangas de camisola usada aparecerem debaixo da farda cinzenta, cheia de botões, de António.
Estaria doente?
— Tens frio, António? Está tanto calor! Estarás doente?
— Fri-fri-o não, mi-mi-nha senho-nho-ra.
E os seus olhos passarinhos negros mais estremeciam, gaguejavam também.
— Então?
Porque se não adivinha, porque se fazem perguntas cruéis? Sem o querermos...
António estremeceu todo ele.
— A a far-far-da é mui-mui-to gran-grande, é é pa-para não os-os-ci-lar...
O verbo oscilar. Gaguejado.
Um corpo magro dentro de uma farda cinzenta que criança nenhuma devia usar.
Oscilar dentro do fato. Um fato que não foi para a nossa medida. O choupo novo e magrinho que vi molhado de azul na madrugada, no correr do comboio. Igual. Estremecendo. Só.
António é meu amigo, nosso amigo. E nós é que não devemos gaguejar a nossa amizade nunca, a amizade que devemos a todos os Antónios.
Um choupo, quando passamos no comboio, fica na estrada. De madrugada, de dia, de noite. E, mesmo assim, está só. Mas o António?
— O-o-bri-bri-gado!
— De quê, António?
Tive uma vontade imensa de lhe pedir perdão. O coração a oscilar.
Adivinha porquê.
O próprio nome António estremece.
E esta história, escuso de vos dizer, é verdadeira. E eu, como se estivesse envolvida num lençol do mundo, cheia de frio, vim escrevê-la aqui.



Matilde Rosa Araújo
O gato dourado
Lisboa, Livros Horizonte, 1985
adaptado